Diretor técnico do maior circuito trail do Brasil explica o que realmente faz diferença
Por Redação Mountain Do
Participar de uma prova de montanha exige mais do que condicionamento físico. Exige estratégia. Para transformar este guia em algo além de recomendações genéricas, conversamos diretamente com o Kiko, diretor técnico e fundador da Mountain Do, responsável pelo desenho dos percursos e pela coordenação técnica do único circuito de trail que percorre os 7 biomas brasileiros.
Com mais de duas décadas de experiência em organização de provas em ambientes naturais diversos no Brasil e no exterior, ele é direto:
“Quem treina só distância costuma sofrer na montanha. O trail exige leitura de terreno, controle de esforço e planejamento. Não é correr mais rápido. É correr certo pra não quebrar. É controlar o corpo para que a mente viva a trilha.”
Claro que nossos leitores merecem um compilado dos conselhos do Kiko, então vamos lá!
1. Estude o percurso como se fosse parte do treino
Segundo Kiko, o erro mais comum é ignorar as características específicas da etapa.
“Cada bioma impõe uma dinâmica diferente. Solo arenoso, pedra solta, trilha técnica, calor intenso, vento. O atleta que entende o ambiente antes corre com inteligência emocional e supera sua performance.”
Antes da prova:
- Analise altimetria acumulada;
- Observe o tipo de solo predominante;
- Considere as condições climáticas médias;
- Ajuste sua planilha conforme o nível técnico.
No circuito Mountain Do, essa diversidade é regra e é justamente o que eleva a experiência e faz a cada ano mais e mais atletas se tornarem fãs adeptos do nosso calendário.
2. Subida se constrói. Descida se aprende.
Subidas desenvolvem força e resistência. Descidas exigem técnica.
“Muita gente treina para subir forte, mas não prepara o corpo para descer com controle. A descida mal executada desgasta mais do que a subida.”
Recomendações técnicas:
- Fortalecimento de quadríceps e core;
- Treinos em terreno irregular;
- Exercícios de estabilidade;
- Simulação de descidas controladas.
A eficiência está na economia de energia, não na explosão inicial.
3. Hidratação é estratégia, não detalhe
Minha equipe sabe como sou exigente nisso e aqueles que já correram Mountain Do vão entender de pronto: hidratação é prioridade! E, claro, tem que ter abundância e qualidade. Cada corpo é único e as variações climáticas impactam diretamente o desempenho também de forma específica. Então, não desprezem o valor da hidratação.
“O atleta precisa saber onde estão os pontos de apoio, testar o equipamento antes e nunca improvisar suplemento novo no dia. Em cada arena, desde a chegada, nossos atletas encontram um mapa de cada percurso com a identificação dos pontos de hidratação. Na trilha, a equipe de staff orienta e auxilia com água gelada, em alguns casos disponibilizamos bebidas isotônicas. E, claro, nas provas mais exigentes impomos regras obrigatórias de equipamentos para facilitar a hidratação.”
Boas práticas:
- Planejar consumo antes da largada;
- Adaptar ingestão ao clima;
- Usar equipamentos já testados;
- Manter regularidade, não esperar a sede aparecer.
4. Equipamento adequado reduz risco
Correr em trilhas exige tração e proteção. No mercado, existem basicamente três grandes categorias de tênis de corrida: modelos para asfalto (road running), desenvolvidos para superfícies regulares e foco em amortecimento; modelos híbridos, que tentam equilibrar desempenho entre estrada e trilha leve; e os modelos específicos para trail run, projetados para terrenos irregulares, com solado mais agressivo, maior estabilidade lateral e proteção contra impactos em pedras, lama, areia, limo e outros materiais abundantes na natureza. Obviamente, para provas em ambiente natural, especialmente em percursos técnicos como os da Mountain Do, a melhor escolha é o tênis específico de trail. Ele oferece maior tração (grip), segurança nas descidas, proteção na parte frontal (biqueira reforçada) e estabilidade em terrenos inclinados ou escorregadios. Esses fatores são decisivos para a performance, para prevenção de lesões e para o controle do esforço ao longo da prova.
“Tênis adequado não é luxo, é segurança. A montanha não perdoa descuido técnico.”
De olho na escolha do seu calçado:
- Tênis com grip apropriado
- Meias técnicas
- Boné ou proteção solar
- Sistema leve de hidratação
Equipamento certo amplia confiança e confiança melhora tomada de decisão. Vale lembrar que esse assunto é tão sério aqui que temos uma loja especializada em artigos para atletas trail. Se você ainda não conhece, visite o site da Loja Mountain Do.
5. Divida sua prova em fases
A frase do diretor técnico da Mountain Do já virou bordão nas largadas. “Vamos no sapatinho”. Isso mesmo, Kiko recomenda uma estratégia simples e eficiente, dividir a prova em fases e manter a consciência de controle em cada uma das três etapas.
- Largada controlada;
- Ritmo sustentável no trecho intermediário;
- Gestão consciente da energia final.
“Quem larga acima do próprio limite paga a conta no final. A montanha cobra coerência.”
Gostou das dicas do Kiko? Comente se você quer mais conteúdos abordando dicas como essas e caso tenha alguma dúvida específica, só comentar aqui ou em nossas redes sociais que vamos buscar a resposta para colaborar no seu processo que melhoria.
Ser o maior circuito trail do Brasil significa realizar provas em grande escala. Mas, principalmente, significa assumir responsabilidade técnica em cada etapa.A orientação do diretor técnico reforça um princípio central da marca: experiência não é improviso. É construção. Recomendamos que você busque uma assessoria especializada em sua região e faça um plano de trabalho com o profissional de educação física.
Preparar-se adequadamente demonstra respeito pelo território, pela prova e por si mesmo.



